Ve linhas...

Linhas dispersas, linhas sem anexo.

Linhas que se acumulam, que se sucedem, sem uma lógica obrigatória.

Gi

Um dia de sol, o primeiro dia de escola. Entre os olhares assusta­dos, um sobressai. Uma cara conhecida, no meio de tantas outras. Uma cumplicidade que se percebe logo, e que nos junta numa amizade que se viria a tornar muito forte.
“Nós andámos juntas no infantário, não foi?”
“Foi” – responde ela. Passados os quatro anos da primária, voltá­vamos a estar juntas. A partir daí fomos crescendo juntas. A Lígia foi marcando a sua personalidade. Sempre reservada, mas sempre lá para as nossas conversas. Tímida, mas com opiniões formadas. Paciente e mais pronta a ouvir do que a falar.
Lembro-me de uma vez em que tirou negativa num teste de música. Ficou desolada, mas não desistiu, tanto que no teste seguinte teve 100%. Notava-se, já nessa altura, o seu carácter forte, a coragem de errar e aprender com os erros.
Os anos passam. De repente, crescemos. Tomamos decisões, umas boas, outras más. Não me surpreendeu quando me disse que tinha escolhido ser Educadora de Infância. Afinal, a Lígia sempre teve jeito para comunicar, para lidar com as pessoas, sobretudo com crian­ças. Talento de que me apercebi realmente no nosso 11º ano, quando recebemos um grupo de crianças de três anos na Escola Secundária. A simpatia da Lígia sobressaía. Quando alguma criança chorava, era a Lígia que magicamente a animava. Com uma simpatia calma, lá estava ela, naquele que parecia ser o seu mundo.

Um comentário:

Anônimo disse...

pois é...ja la vao alguns anos!!hoje sinto saudades das nossas conversas ainda que n falasse muito...;)
beijinho grande
obrigada *