Sobre o chão desta cidade,
correr estradas de cartão,
por onde tudo foge
para fora do alcance da minha mão
e entre sair para a rua
sem uma porta ter de abrir
e a pensar que nem sequer pedi para existir
Se quando nasce o dia
eu já me canso de escolher
se perseguir o que não passa de um sonho
ou pensar em sobreviver
se te digo que o mundo é cão
já que ninguém quer saber
se toda a culpa é do umbigo
porque é que o meu custa a perceber
são reflexos no passeio
ou luzes que a noite traz
do acender de um candeeiro
ou o silêncio que agora faz
e na ponta de um cigarro
focar toda essa condição
de acordar para a vida
ou vê-la a vir em frustração
Carlos, um cantor de rua do Porto
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